Em 25 de fevereiro de 1973, nasce com o destino...

Em 25 de fevereiro de 1973, nasce com o destino marcadopor muito fazer, apesar de tão pouco tempo ter.

 

 

 

 

 

 

 

Ensino Fundamental
Instituição: Escola Estadual Ana Libória
Início: 1980 - Término: 1987

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Feutmann de Lima Gondim nasceu e se criou entre Boa Vista e a comunidade do Tepequém, no município do Amajari. Filho do garimpeiro Lauro da Silva Brito Gondim (1916 – 2001) e Adalgiza de Lima Gondim, doméstica e costureira. Foi influenciado pelo pai, desde muito cedo, nos estudos, leitura e cálculos.

Estudou do pré-escolar à 8ª séria na Escola Estadual Ana Libória, onde cultivou muitas amizades. Ainda pequeno, na sala de aula, já demonstrava seu talento com a escrita. Aos 14 anos, quando cursava a 7ª série, no ano de 1986, conquistou o primeiro lugar do concurso de redação promovido pela Base Aérea de Boa Vista.

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Amor de Mãe

 

 

Adalgiza de Lima Gondim*

Feutmann, meu filho querido, lembro-me dos seus 03 anos de idade, morando no garimpo de Tepequém. Eu levantava cedo para preparar sua mamadeira no fogão de lenha com todo o amor. Hoje, lembrando, parece tão distante, ao mesmo tempo, em que, para mim, parece que foi ontem. Só quero que você saiba que eu te amo muito e que Tepequém para mim perdeu a graça e beleza sem a sua presença, pois o meu diamante precioso se foi.

Com todo amor de sua mãe.

 

 

 

 

 *Adalgiza de Lima Gondim, mãe que até hoje ainda chora a sua ausência.

 

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O patriarca, Lauro Gondim

  

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Tepequém: do garimpo ao turismo, uma paixão pela Serra

 Waldeth Gondim*

Era o ano de 1973, para ser mais exata, um domingo, 25 de fevereiro, por volta das 06h20, quando nasceu Feutmann de Lima Gondim. Éramos, agora, três: Wagna, Eu (Waldeth) e ele, o nosso caçula. Coincidência ou não, eu e Wagna também nascemos no dia de domingo.
Já morávamos em Tepequém desde 1964, quando nosso pai, Lauro Gondim, decidiu trocar a lapidação de diamanteimage010s pelo garimpo. Ao invés de comprar os diamantes, ele queria agora encontrá-los, garimpá-los. Ele achava que poderia ficar rico se encontrasse a gruna do Funil. Deu-se início a um grande sonho, que só acabou com sua morte em 19 de agosto de 2001, aos 85 anos. Ele viveu anos e anos contando as histórias dos tonéis de diamantes que tiraria quando encontrasse aquele poço dentro da gruna onde a água do igarapé entrava, circulava por debaixo dos paredões de rochas e saía desse poço em forma de redemoinho, jorrando alguns quilômetros abaixo no leito do igarapé do Funil. Crescemos ouvindo essa e outras muitas histórias do nosso pai; desde sua saída da Bahia, aos 14 anos, onde nasceu, para o Rio de Janeiro, em busca de uma vida melhor, onde morou por 22 anos. Acompanhou a segunda guerra mundial e nos dava aulas sobre este assunto. Vivenciou a Ditadura Militar, curtiu a boemia do Rio de Janeiro daquela época, mas, foi por Tepequém que se apaixonou e escolheu esta terra para viver até seus últimos dias.

 
image011_2E foi lá que Wagna, eu e Feutmann nascemos e vivemos boa parte de nossa infância. Foi lá também que iniciamos nossos estudos na Escola Duque de Caxias, onde havia alunos da 1ª a 4ª série. O professor Edmilson tinha que se desdobrar para dar conta de todas as disciplinas e séries ao mesmo tempo. Somos da época da palmatória. Quem errasse a tabuada levava, no mínimo, seis bolos em cada mão. Mas logo nossa mãe decidiu que deveríamos vir para Boa Vista para que pudéssemos dar continuidade aos nossos estudos. O Feutmann, nesta época, estava com 04 anos; eu, com 06 e Wagna, com 09. Estudamos primeiro na Escola O Pescador.

Posteriormente, Wagna foi para o Euclides da Cunha e eu e Feutmann fomos para o Ana Libória. Ele iniciando na Pré-Escola e eu indo cursar a 3ª série. Ele logo se destacou na turma e a professora, Guaraciaba, não cansava de elogiá-lo. Fazia todas as atividades com muita facilidade para sua idade. Uma criança comunicativa, inteligente e amável.
Mesmo estudando em Boa Vista, sempre voltávamos a Tepequém nas férias. Nessa época, saíamos de Boa Vista às 4h da madrugada para chegarmos lá por volta das 19h. Era uma longa viagem, que hoje é realizada em pouco menos de 2 horas e 30 minutos. Mas tudo era festa! As paradas nos Três Corações (Km 100), para comer aquela paçoca ou o queijo de manteiga com um café fresquinho; as paradas na Vila Brasil, no Bar do Seu João Ana, para tomar um guaraná baré ou magistral e seguir em frente, com pequenas paradas nos sítios ao longo da estrada, onde o papai conversava com os amigos e a gente visitava nossos colegas. Esta aventura se repetia sempre nas férias de julho e janeiro. Era maravilhoso!
Um dia, numa dessas férias num sítio que tínhamos antes do Tepequém, Feutmann e o amigo Valdir, do sítio em frente ao nosso, pegaram umas piabas e resolveram fritar. O fogão era de lenha e, como eles eram pequenos, Feutmann subiu, não lembro bem em quê, e gritava para o Valdir: "tá fritando, tá fritando, Valdir. E quando eles viram já estava mesmo era queimando. Tentaram esconder da mamãe, mas não teve jeito. O cheiro de peixe frito os dedurou. Sempre lembrávamos desta história cada vez que passávamos por lá. E ainda lembramos até hoje... Que Saudade que dá!
Sempre estudamos na mesma escola e eu tinha que tomar conta dele. Como naquela época não havia ônibus, íamos e voltávamos a pé. Na volta da escola, eu sempre me distanciava um pouco porque ele ia parando em toda casa que tinha plantas para poder pedir um galho ou uma muda. Quando chegava em casa, alguns minutos antes, a mamãe já ia logo perguntando por ele e não ficava tranquila enquanto ele não aparecia na porta. Chegava sempre com as mãos cheias de plantas e cuidava logo de plantá-las. O mais engraçado era que eu tinha que regar todos os dias. Hoje, adoro cuidar de plantas, de podá-las, vê-las floridas, por causa dele.
Quando ele já estava com 7 anos, eu com 11 e a Wagna com 14, para nossa surpresa, mamãe nos contou que estava grávida novamente. Foi quando veio o nosso mais novo caçula, o Raustmann. A partir de então já não éramos mais três e, sim, quatro. Nesta época, nosso pai tinha se afastado um pouco do garimpo e era empreiteiro. Passamos por algumas dificuldades, mas sempre permanecemos unidos ao lado dos nossos pais, que fizeram de tudo para que todos nós continuássemos estudando e nos formássemos um dia.

Aos doze, treze, anos, ele devorava os livros que Wagna comprava do Círculo do Livro, principalmente romances. Logo, ele mesmo começou a fazer seus próprios pedidos, cujos títulos já eram de seu próprio interesse. Tinham livros de quase 300 páginas, que ele lia em três dias, no máximo, e, às vezes, até em dois. Eu ficava impressionada. Na escola, ele era um excelente aluno, acima da média. Suas matérias preferidas eram português e história. Nesta mesma época, ele começou a escrever poesias, contos e romances, os quais, hoje, com a ajuda de seus amigos, estamos reunindo para, em breve, publicar em sua memória.
Os anos foram se passando e crescemos... Aos 17 anos, fui fazer faculdade de Educação Física em Manaus e ele, pouco tempo depois, me mandou seu primeiro artigo publicado no Jornal Folha de Boa Vista, intitulado "O Mundo que nós Queremos". Lembro como se fosse hoje a alegria dele me contando, pelo telefone. Eu senti um grande orgulho. Ele tinha apenas 16 anos e trabalhava como digitador no jornal.
Quando retornei de Manaus, ele já dava início a sua brilhante carreira de jornalista, a qual pude acompanhar de perto. De digitador a editor chefe do Jornal Folha de Boa Vista, assessor em dois governos, superintendente do Jornal Brasil Norte, assessor de deputados federais até finalizar sua carreira, ao lado de uma grande mulher, a qual ele tinha uma grande admiração e respeito, a Senadora Ângela Portela.
Saudades eternas da irmã que muito te ama. Em breve estaremos juntos.

 *Waldeth Gondim, Formada em Educação Física e Coordenadora de Esporte e Lazer do SESI

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