Feutmann nasceu no platô do último tepui...

Feutmann nasceu no platô do último tepui, Serra do Tepequém, no então Território de Roraima.

 

 

 

 

 

  

Ensino Médio
Instituição: Escola Estadual Gonçalves Dias
Curso: Formação Geral
Início: 1988 - Término: 1990

  Fanático por leitura, principalmente literatura brasileira, Feutmann Gondim desenvolveu um dom especial na transcrição de seus sentimentos por meio de contos e poesias. Leu praticamente todos os clássicos da literatura brasileira.

 

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Para: Feutmann Gondim

Raustmann Gondim*

 Além de sua paixão pela Pousada Lauro Gondim, que mantinha junto com seus familiares na Serra do Tepequém, Feutmann tinha um amor imensurável pela fauna e flora do lugar. As plantas eram sua fonte de inspiração e os animais lhe despertavam admiração; os pequenos pela fragilidade e os grandes pela sua força e poder.
Feutmann Gondim não era uma pessoa que se apegava a coisas materiais. Para ele, o que importava eram as coisas simples. A Serra do Tepequém era o local onde se reencontrava com suas origens, onde alimentava suas forças, para continuar encarando uma vida cheia de compromissos e responsabilidades.image004 2Caminhar por trilhas, tomar banho na Cachoeira do Barata, do Paiva e do Funil, observar o por do sol ou, à noite, ficar deitado na pista de pouso de aviões, olhando e admirando o céu estrelado, eram as coisas que mais gostava de fazer no local, que ele definia como místico e cheio de histórias. Ele costumava dizer que, à noite, o céu de Tepequém era o mais lindo do mundo. Era tão próximo que a impressão que dava é que íamos tocar as estrelas. E, agora, ele é uma delas, com certeza!
E por falar em histórias, contar história da Serra do Tepequém era um de suas especialidades. Algumas, lembradas por ele, nos mínimos detalhes e contadas a vários amigos e turistas como se estivesse revendo todas as anotações num cantinho especial de sua mente.
Para Feutmann Gondim, a Serra do Tepequém era um local a ser preservado por todos. E, por esta razão, várias eram suas ideias para trabalhar junto à comunidade a melhor maneira de manter o local sempre em equilíbrio, apesar das longas décadas de degradação ambiental, praticada pela exploração de ouro e diamantes.
Uma de suas últimas conquistas, por meio de muita articulação, foi a implantação do sistema de comunicação por telefone nas residências dos moradores da Serra do Tepequém. Em certo momento, durante uma visita à serra, ele próprio declarou: "Descobri o contato da "Oi" e não vou deixar eles em paz enquanto não instalarem telefone aqui", comentou.


Para um momento especial, Feutmann Gondim já trabalhava com a possibilidade de realizar um imenso festival de balonismo na Serra do Tepequém para atrair turistas do mundo inteiro. Seu sonho parecia algo difícil de alcançar, mas tudo seria apenas uma questão de tempo, até colocar o projeto em execução. Infelizmente, antes deste seu grande sonho se tornar realidade, ele nos deixou...

 

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            Feutmann gondim – um amigo das antigas

Breve relato de nossa história

Florany Mota*

 Estudamos juntos na 8ª série. Naquele tempo, éramos muito felizes. Quando saíamos da aula, à tardinha, comíamos quibe de arroz com rala rala. Nossa Boa Vista era bem calminha.
Ele, vindo do Tepequém, e, eu, da região das serras – Uiramutã. Logo nos conhecemos e fomos encontrando pontos convergentes: nossa infância, nosso interior. Mas Feu (apelido que dei a ele desde que nos conhecemos) tinha um diferencial, sempre muito vivo, saía na frente. Queria saber de tudo, gostava de ler e estar antenado com o mundo. Logo se destacou na sala pela inteligência, que Deus lhe deu, e a sede de buscar conhecimento, que era uma constante.
Logo depois que finalizamos o primeiro grau, hoje, Ensino Médio, cada qual foi tomando seu rumo, pois não havia ainda a UFRR. O antigo segundo grau, pra quem ousasse, pudesse e o dinheiro desse (lógico que com muito esforço de nossos pais), teria que ser "tirado" num outro lugar que nos preparasse para o tal vestibular, que teria que ser feito em universidade pública, é claro.
Então, saímos do Estado para estudar "fora". Feutman foi para Cuiabá, morar na casa de uns parentes, Loredana Kotinski, que fazia parte do triunvirato, foi para a Escola Doméstica em Natal, e, eu, fui morar em Brasília, na casa de uma família que ganhei de presente de Deus, os tios Souza e Tétis, laços que se eternizaram e que posteriormente tornaram-se amigos de Feu.
No período em que morei em Brasília, recebia carta toda semana de meu amigo Feu. Isso mesmo. Naquele tempo, ainda não existia essas modernidades/facilidades de whats e e-mail, meios eletrônicos de comunicação. Eu respondia as cartas de Feu, que sintetizavam um diário semanal, contando a rotina em que se encontravam, as lutas, dificuldades, desafios e vitórias. Dessa forma, mantivemos um contato bem próximo, fortalecendo nosso laço de amizade.
Fato cômico é que meu tio Souza, de tanto ver cartas indo e vindo, começou a desconfiar. Achou que eu estava tendo algum affair com Feu, pois as cartas nunca falhavam. (risos)
O destino permitiu que nos reencontrássemos novamente. Logo que inaugurou a UFRR, tratamos de voltar para casa. Não havia mais sentido estarmos morando fora, pois a grande novidade para nós da Terra de Makunaima era a implantação da UFRR. Fizemos o vestibular para o Curso de Comunicação Social, oferecido pela UFRR, e, adivinhem, lá estávamos juntos, eu, Lorita e Feu, o triunvirato.
E, assim, tivemos ótimos momentos em nossa vida acadêmica na UFRR, enquanto cursamos Comunicação Social. Não poderia deixar de mencionar uma viagem que fizemos à cidade de Aracaju, Sergipe. Participamos do Intercom, um congresso internacional de comunicação, que acontece até os dias atuais, com apresentações de artigos, cases, um mundo novo para nós que estávamos iniciando o curso. Foi uma grande aventura. Viajamos de carona, num avião Bandeirantes, um grupo de vários acadêmicos. Feutmann, sempre um destaque, ao mesmo tempo nos fazia rir muito. "Só queria ser" era como "malinávamos" dele, que usava uma calça de couro preta que, como diz Parmênio Citó (um amigo em comum), parecia ser alinhavada no osso.
Esse tempo passou bem rápido e, logo após nossas formaturas, Feu partiu para um novo projeto em Brasília. Eu, que ia muito lá, a trabalho, sempre fazia questão de atualizar o papo com ele.
Em janeiro de 2012, na Tuntum-RR, houve um encontro, articulado por nossa amiga Loredana Kotinski, pessoinha muito especial, entre velhos amigos e amigas, só não sabíamos que estávamos nos despedindo...
Assim, meu amigo Feutmann Gondim se foi, tão depressa, deixando uma lembrança de amizade verdadeira, regada com brincadeiras, boas risadas, críticas construtivas, conversas sérias, deixando um aperto enorme em nossos corações. Em minha memória, sempre ficará a alegria de nosso último encontro.

 

*Florany  Mota, Jornalista e Advogada.

 

 

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