O Legado: as poesias escritas e, agora, publicadas.

O Legado: as poesias escritas e, agora, publicadas.

 

 

 

 

 

 

Desde sempre, Feutmann escreveu, narrou a sua alma, cantou a sua terra, declamou sua família e bradou seus amigos. Censurou, apontou caminhos e elogiou.
Inimigos, só de mentirinha. Polêmico só para alongar bate-papos. Mas, quando amanhecia, ficavam indeléveis suas propostas, que vamos sempre chamar de ideias ou poemas...
1º lugar – Concurso SESI de Poesia, categoria escrita, em 1997.
1º lugar – Concurso de Redação da Base Aérea de Boa Vista, em 1986.

 

Os manuscritos

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Pra não dizer que não falei de Feutmann...

 

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Lena Fagundes*

 

 

Vinha ele pelas veredas desta passarela. Multifacetado, o amigo, intelectual, amante da poesia, da natureza e principalmente da vida. No quesito família, era nota dez. Fazia de seus irmãos, amigos, e dos amigos, irmãos. A confusão de graus parentais entre mim e ele se lia até nos nossos sobrenomes, que mal usamos, Lima. Idolatrava sua mãe, Dona Dalza. Foi nesse desfile que o conheci. Não me recordo com detalhes como, mas sei que frequentou muito a nossa casa. Mesmo depois que se transferiu para Brasília, voltava à terra com frequência e sempre vinha bater o ponto e conversar com o grande amigo, meu amado marido Epitácio. Ah.... esse papo demorava. Falávamos de tudo, ríamos muito. A mesma coisa acontecia quando, em minhas idas à capital do país para as reuniões da FENASSEC (a federação dos secretários), também lá, batia, eu, o ponto. Ligava para o amigo sempre disponível e usava do seu encantador savoir faire, e gosto refinado, para abrilhantar-me os olhos com o show do Caetano, a peça Coco Chanel, com Marília Pera. Todas as vezes tinha continuação; levava-me para restaurantes no lago Paranoá e muitos outros points. Muitas vezes, colegas das reuniões de classe acompanhavam nestes passeios e foram infindáveis os elogios a Feutmann. Elegante, ético, estiloso e, por incrível que pareça, aos leitores que o conheciam: BONITÃO!
Preenchia, também, o requisito cozinha, embora sem chegar perto de ser um cordon bleu, apesar de quantas macarronadas com manjericão frescos nós preparamos! E isso era tão agradável, que iniciávamos as atividades durante o dia e terminávamos ao anoitecer, com o céu de lua alta, quase terminando seu passeio daquelas noites. Assim, recompúnhamos nossas energias, com amenidades discutidas a sério com muito humor.
Foram poucas passarelas que o tempo lhe restou. Sua essência humana transbordava conhecimentos e elevo com destaque aos prêmios que sempre conquistou em 1º lugar – Concurso SESI de Poesia, categoria escrita, em 1997, e 1º lugar – Concurso de Redação da Base Aérea de Boa Vista, em 1986. Prova que sua galeria seria imensa em troféus.
Feutmann me ligou uma semana antes de sua saúde debilitar, dizendo: amiga, estou cheio de novidades e projetos. Diz pro Epitácio que vou falar pessoalmente. Porém, após alguns uns dias, recebi a ligação da amiga Shirley Rodrigues, pedindo para que eu ligasse pra ele. Tentei em vão, ele não pode atender. Apenas deixei um recado, dizendo que eu o amava. Chorei muito e sonhei com ele numa festa linda, em que todos foram para o rio. Ele disse, no meu sonho: - Tô indo nadar. Quando comentei com alguns amigos em comum sobre o que sonhei, à unanimidade, disseram-me que o Feutmann não sabia nadar.
Ao som da música enredo que eleva minha alegria de tê-lo conhecido e minha alma vazia de sua ausência...

 

 

 

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção

 

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber


Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

   
   

Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão

 

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

 

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão

   
 

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

 
   

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais

Braços dados ou não

 

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição

 

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer

 

 E o meu irmão/amigo amou, plantou flores, viveu, fez a sua hora e viajou pra sempre! Muitas Saudades.

 

*Lena Fagundes, secretária executiva e jornalista.

 

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O poeta Feutmann inspirou o poeta Fernando Olinto

 

 

 

 

Como editar um livro póstumo?

 

Antes de tudo, Feutmann era organizado, principalmente com reminiscências. Censurava quem dissesse que o Brasil era um país sem memória, porque ele sorvia de todas as fontes informações para o seu texto e os achava. Em retribuição à posteridade, Feutmann deixou alguns textos com a família e, em especial, um, com o nítido recado de obra pronta para publicação. Até a capa estava sugerida. Clicando aqui você poderá lê-lo on-line e, se preferir, baixar aqui uma cópia em pdf, lembrando-nos que qualquer utilização da obra ou trechos dela deverá ter consulta prévia e autorização da família.

 

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