Os últimos dias

Os últimos dias

 

 

 

 

 

Órgão Público: Câmara dos Deputados
Cargo: Assessor Parlamentar da Deputada Federal Ângela Portela
Início: janeiro de 2007 - Término: dezembro de 2010

 

Órgão Público: Senado Federal

Cargo: Assessor Parlamentar da senadora Ângela Portela
Início: janeiro de 2011 - Término: 17 de dezembro de 2011

 

image005Até os últimos dias de sua vida, Feutmann Gondim se dedicou intensamente no assessoramento de Ângela Portela, tendo inclusive retornado a Boa Vista, no início da campanha eleitoral de 2010, para se dedicar à eleição ao senado.

Entre suas idas e vindas a Boa Vista, a serviço ou a trabalho, o jovem jornalista se refugiava nas horas de folga na Serra do Tepequém, onde mantinha sociedade com os irmãos Waldeth, Wagna, Raustman e sua mãe Adalgiza de Lima Gondim em uma pequena pousada e um restaurante.


 

 

 

 

 

 

 

 

Fala de coração

image007Angela Portela*

 

O Feutmann era um ser humano especial. A convivência diária com ele me fez ver o quanto era comprometido, dedicado e trabalhador. Era, também, meu amigo. Falávamos sobre tudo, nossa vida pessoal, profissional; discutíamos projetos importantes para Roraima. Sonhávamos com a possibilidade de implantação da Banda Larga em nosso Estado. Em busca desse sonho, ele ia comigo em todas as audiências com o ministro das comunicações.
Nosso mandato era como se fosse dele também, tal era a vontade que Feutmann tinha que tudo desse certo. Era um grande colaborador. Sinto muito a falta desse amigo e desse profissional culto, competente, e sei o quanto seu trabalho, seus textos e sua visão de futuro foram importantes para mim, durante os anos em que trabalhamos juntos.
Era apaixonado por Tepequém, sua terra natal, e para onde queria voltar. Eu não deixava, pois precisava muito dele perto de mim em Brasília, colaborando com o nosso mandato, ajudando a concretizar as ações que planejávamos e que discutíamos, antes de colocá-las em prática.
No gabinete do Senado, Feutmann sentava-se à mesa, ao lado da minha. Tinha conhecimento de tudo, sabia minha opinião sobre todos os temas. Fazia sugestões para aprimorar nosso trabalho e torcia muito. Um amigo, um assessor desse nível e dessa qualidade, faz uma falta imensa, causa uma saudade profunda, que nunca passa.
Todos os dias lembro-me dele. Uma foto que tiramos juntos, no dia da nossa posse de Senadora, está sobre minha mesa. Na imagem, ele expressa uma enorme felicidade com a nossa vitória. E eu também.

 

*Angela Portela, senadora (PT-RR).

 


 

 

No tempo da delicadeza

 

 

Rosngela Lara

Rosangela Lara*

 

 

Pode até parecer controverso, mas delicadeza, sem dúvida, é a melhor palavra para definir nosso querido Feutmann. Conhecido por muitos por sua franqueza, e por seu humor muitas vezes ácido, era a mais delicada das criaturas.
Forasteira, fui recebida muito mais do que de braços abertos. Fui acolhida por este gentil colega, que passou a me chamar de amiga sem a menor cerimônia e, acima de tudo, passou a me tratar assim.
Com seu jeito pouco discreto, era também tímido. E, a seu modo, ganhava espaço no coração de quem aprendeu a conhecê-lo.
Feutmann chegava cedo para o café e, da porta, anunciava sua presença: Amiga, bora acordar.
Bem vestido, cheiroso, vaidoso e sempre antenado com o mundo, colega de profissão, tinha o faro aguçado. Ah! Como era esperto esse meu amigo... Mas a esperteza nem sempre o protegia; foi alvo de muita gente, muito falatório. Mas, nem os inimigos ousavam desprezar seu talento ou desrespeitá-lo.
Sempre pronto pra outra... Certa vez, inventou um yakissoba lá em casa: panela, macarrão, legumes e muita gente. E deu tudo errado. Meu amigo estalou os dedos e decretou: vamos servir. Se a gente achar que está bom, todo mundo vai achar. Otimismo puro...
Amigo de todas as horas, esteve comigo nos momentos de festa e também nos tropeços. E nossa amizade extrapolou distâncias.

 

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No dia 15 de abril de abril de 2011, nos reunimos, em São Paulo, e com a presença do querido Jaider abrimos uma garrafa de vinho, celebramos a nosso reencontro e escrevemos nossos nomes na rolha da garrafa: era o pacto que nossa amizade fosse como os vinhos: quanto mais velha melhor.

Logo depois, ele foi chamado pra junto de Deus, porque, apesar do desejo de termos nosso amigo sempre por perto, Feutmann era especial demais pra ficar por aqui.
Foi descansar onde o tempo da delicadeza é eterno.

 

*Rosangela Lara, jornalista.

 

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