Seu tempo de Brasília

Seu tempo de Brasília

 

 

 

 

 

 

Entre os anos 2001 a 2003, Feutmann Gondim se dividiu entre as assessorias de comunicação do Palácio do Governo, do extinto DER e, por último, da vice-governadoria.
Com a derrota de Flamarion Portela para Ottomar de Souza Pinto, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2004 (não lembro a data exata), Feutmann Gondim foi exonerado da vice-governadoria e, logo em seguida, foi convidado por Almir Sá para o cargo de assessorar parlamentar em Brasília.
Feutmann não pensou duas vezes e encarou o desafio, já que se tratava de uma grande oportunidade na cidade que também adorava. Feutmann já tinha realizado vários trabalhos em Brasília-DF, mas nenhum de forma definitiva.
Com o cargo de assessor parlamentar, Feutmann se mudou para Brasília, onde desenvolveu vários trabalhos. Paralelo às atividades de assessor parlamentar, Feutmann também conseguiu um cargo de assessor de imprensa na Assessoria de Comunicação da Previdência Social.
Como Almir Sá não conseguiu se reeleger deputado federal nas eleições de 2006, Feutmann Gondim apresentou uma proposta de trabalho à recém eleita deputada federal, Ângela Portela. Iniciava-se aí uma parceria de sucesso.

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Feutmann Gondim com ..., Arnóbio Lima, Lena Fagundes, Parmênio Citó e Jaider Esbell na festa de final de ano (2001) em Boa Vista

 


 

 

Feutmann, meu amigo...

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 Loredana Kotinsk*

 

Me pediram pra escrever sobre você. Logo eu que tenho falado muito sobre você e sua paixão pela vida.
Dia desses, te senti bem próximo. Subi a serra do teu Tepequem e vi de perto teus sonhos. Alguns parados no tempo, por falta das tuas mãos; ausência da tua dedicação. Outros, seguindo em frente tal qual sonhastes.
Te vi em muitos cantos. No lavrado, na serra, nos buritizais e te percebi, chegando com o vento da noite. E lembrei do nosso último e gratificante encontro. Te vi outra pessoa e fiquei maravilhada.
Meu amigo de redação de jornal, alto e tímido, era um bem sucedido jornalista no Congresso Nacional. Tinha a agilidade de quem possui sede de conhecimento e a gentileza de apresentar o que de melhor havia visto para os amigos que lhe visitavam.
Partistes cedo. Mas o tempo é um mero pretexto. Fostes no teu momento. Mas deixastes a tua escrita impecável, tua sagacidade e inteligência inquestionáveis. Tua amizade sincera.
De tudo isso, o que mais me marcou foi a paixão com a qual vivias. E isso já é muito mais que muitos de nós pode ter. Saber amar. Essa é a tua lição.
Saudades. Sempre.

 

 

 *Loredana Kotinsk, jornalista e diretora da Press Comunicação Estratégica

 

 


 

 Mestre Lau me dizia "esse rapaz vai longe"! "Ele é muito bom"!

Consuelo Oliveira*

 

image009Como leitora, eu já era sua fã, há muito tempo. Desde a Crítica de Roraima, quando meu pai, Jornalista Laucides Oliveira, então diretor daquele jornal, destacava o talento promissor de um jovem profissional. Mestre Lau me dizia "esse rapaz vai longe"! "Ele é muito bom"! Com o tempo, o olhar clínico de papai se confirmou mais uma vez. Feutmann Gondim escreveu as páginas de maior sucesso do jornal mais lido de Roraima, a Folha Boa Vista. Texto impecável; conteúdo sempre muito interessante; uma abordagem criativa e vigorosa. Eu aguardava com ansiedade a publicação dos seus artigos. Ler Feutmann Gondim era sempre muito prazeroso e instigante. Na época, eu era repórter da TV Roraima e jamais imaginava que Feutmann um dia emprestaria a sua brilhante capacidade profissional a um projeto em comum...
O ano era 1997. Quando recebi o convite para assumir a Coordenadoria de Comunicação Social do Governo de Roraima, surgiu a necessidade de escolher os melhores profissionais de comunicação do Estado para compor a minha equipe. Foi quando aconteceu o meu primeiro contato profissional com o Jornalista Feutmann Gondim. Num final de tarde, liguei pra ele e pedi que fosse ao meu encontro no Palácio do Governo. Confesso que vivi um dilema: eu quero o melhor profissional, mas não tenho como pagar um bom salário. O que fazer? Pensei: vou convidá-lo para ele ser meu Adjunto. Ideia mais do que ousada. Afinal a Folha, onde ele trabalhava, notoriamente, era um jornal que fazia sistematicamente oposição ao Governo do Estado. Como convencer o poder dessa minha aquisição? Investi toda minha capacidade de argumentação num conceito básico: nada resiste ao talento! No começo, Feutmann achou que eu não conseguiria, porque lidávamos com contexto muito reacionário. Consuelo e seu pai, o saudoso Mestre LauFinalmente, depois de uma intensa queda de braço, tive o sinal verde e Feutmann Gondim assumiu o cargo de Coordenador Adjunto de Comunicação Social do Governo de Roraima. A sua contribuição deu um grande salto de qualidade na missão de levar para opinião pública a versão oficial dos fatos. Feutmann Gondim produziu belas reportagens sobre as ações de governo, artigos para os principais jornais e revistas do Brasil, mostrando em seus textos primorosos a cara de Roraima. Formamos uma boa dupla. Adorava conversar com Feutmann porque ele era uma fábrica de boas ideias. Mesmo dentro de uma estrutura de poder tão competitiva, pesada, com uma nociva e envolvente rede de intrigas, nossa parceria conseguiu sobreviver. Tínhamos nossas divergências, confrontos, desencontros, mas havia uma admiração mútua que tudo superava!
Hoje sinto uma imensa tristeza ao cumprir a dolorosa missão de falar de Feutmann Gondim para o seu memorial. A Comunicação de Roraima perdeu um grande profissional! E nós, que tivemos a experiência rica de compartilhar com Feutmann, perdemos muito de sensibilidade, criatividade, aguçado espírito crítico, bom humor, elegância e um inigualável talento para escrever!
Quando lembro que soube da sua trágica e tão precoce morte, por interurbano feito pela nossa amiga Loredana Kotinski, achei que só poderia ser mentira! Como assim? Eu nunca vi Feutmann doente? Acho que pra me sentir melhor, prefiro continuar acreditando que Feutmann Gondim está em algum lugar, escrevendo textos maravilhosos para todos nós!                                                                    

                                                                                                                                                                  

*Consuelo Oliveira, jornalista.

 

 

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