Sua juventude coincide com o ápice do garimpo em Roraima...

Sua juventude coincide com o ápice do garimpo em Roraima e nutre sua paixão pelas buganvílias.

 

 

 

 

 

 

Não se sabe ao certo o que o influenciou na escolha da profissão, já que seu pai tentava, de todas as formas, convencê-lo a seguir a carreira de advogado.

image003Os Quatro Pinheiros

 Wagna Gondim*

Feutmann, meu irmão querido, tantos sonhos interrompidos; sua partida tão inesperada pegou-nos a todos de surpresa.dos eles. Será eternamente lembrado. Basta olhar para cada uma das plantinhas que deixou embelezando a nossa pousada. Elas estão cada vez mais lindas.image004 Tínhamos tantos projetos para a nossa pousada... Mas fique tranqüilo, faremos o possível e o impossível para realizar to Tenho certeza que onde quer que você esteja, estará sempre cuidando delas.
Lembra dos quatro pinheiros que você teimou comigo e plantou na frente do restaurante? Eu disse que lá seria construída, futuramente, a recepção da pousada. Você continuou teimando e plantou, dizendo que era só arrancar quando fosse construir. E, hoje, estão lá, cada vez mais lindos. Até brinquei com a Wal, dizendo que eles representam os quatro irmãos (eu, você a Wal e o Raustmann). Sabe quando eles serão arrancados de lá para construir a recepção? Nunca! Vamos mudar o projeto, mas eles continuarão sempre lá...
Saudades!

 *Wagna Gondim, formada em Administração de Empresas e gerente da Pousada Lauro Gondim 

 

 

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Meu grande amigo

Airton Ribeiro*

No primeiro contato que tive com Feutmann, logo de cara, não gostei. Achei uma pessoa espaçosa, que se fazia anunciar como quem tinha necessidade de chamar à atenção, quer pelo seu tamanho ou por falar pelos cotovelos. Sabedor de tudo. Um chato. Um cara que queria ser íntimo logo no primeiro contato – logo comigo, que não dou confiança assim tão fácil. Mais, levado pela insistência do Salatiano – ainda bem –, que fazia amizade com todo tipo de gente, Feutmann foi se infiltrando aos poucos em minha vida. Entrão como era, foi conquistando seu espaço e nossos corações. Claro, que essa história comentei com ele, que, com seu humor ácido, tirou sarro.
Feutmann virou um amigo único e um dos frequentadores – como não poderia deixar de ser – de um dos seletos amigos que se reuniam, religiosamente, todos os dias, nos finais de tarde, durante os anos da década de 90, na "Calçada da Fama", que era como chamávamos a calçada da residência da minha mãe, Da. Antônia Ribeiro, viúva do meu pai José Ribeiro, na Av.Capitão Ene Garcez, centrão de Boa Vista, em frete à Praça das Águas, casa que nasci e vivo até hoje.image006_2O grupo era formado por mim, Rodrigo Campos, Parmênio Citó, Jaider Esbell, Arnóbio Lima, Shirley Rodrigues, Nalu Jane, Diego Gomes, Rita e Nair Araújo. Também sempre estavam por ali, Geysa Brasil, Chirth Peixoto, Sâmara Silva, Geane Queiroz. Tinha também Ernesto Mujica, amigo venezuelano (dizia Feutmann, que ele era tão brasileiro que dava o truque, dizendo ser venezuelano pra melhor passar), que frequentava, durante seu período de férias.
A movimentação na Calçada começava por volta das 17h30, quando saíamos do trabalho, das academias e de outros afazeres, para um happy hour descontraído, em que, às 05h da tarde, as cadeiras já estavam postas na calçada para o encontro tácito entre nós. A "Calçada da Fama" suscitava tanta curiosidade, que as pessoas paravam pra ver do que se tratava. Uns achavam que era jogatina, outros, que era um clube; outros, uma festa constante. Mas não era nada, só reuníamos pra papear e rir muito nos finais de tarde, cada um com suas histórias, com as novidades do que acontecia na cidade e, pra Feutmann, que estava sempre presente, sempre atualizado de tudo, o que não faltavam era histórias boas e diversas. Entrávamos pela noite e sem hora certa para parar os trabalhos. Era um falatório, na cidade, especulação, gente querendo frequentar, mas o pessoal do próprio grupo "cortava" quem queria e inventava história, dizendo que precisava ser inscrito, ter senha e coisas do tipo.


Esse é um dos vários episódios vividos com Feutmann, além das minhas várias viagens, nas quais o caboco se planejava e já sabia tudo sobre o local pra onde íamos. Traçava todo o roteiro, sem contar que cada dia era uma mudança de planos.
Com sua lábia de político e jornalista, sabia convencer como ninguém as pessoas para aderirem a suas ideias. Sempre disposto a servir, não tinha tempo ruim nem cansaço, era sempre prestativo. Assim, como eu, ele adorava cachorro. Dizia que Holden(seu cão) era quase gente; tanto era que, como gente, não lhe obedecia.
Ele era hilário, com um humor único; desengonçado, mas elegante, político, inteligente. Era frustrado por não saber nadar.
Sacanagem, Amigo, você foi embora antes de cumprir com um monte de planos que havíamos feitos. Agora, onde quer que esteja, deve tá contando nossas histórias e rindo da nossa cara.

 *Airton Ribeiro, economista, amigo e parceiro fiel das aventuras e viagens.

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Feutmann, a irmã Waldete e os pais, Adalgiza e Lauro Condim

 

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Feutmann Gondim

Talento e carisma em um artista nato

Neuraci Lima*

Falar de pessoas talentosas é fácil, em especial quando estas nos são queridas, como é o caso de Feutmann Gondim, jornalista, escritor, entre outras coisas.
Conheci Feutmann quando éramos crianças. Estudamos na escola estadual Ana Libória. Desde criança até a adolescência, convivemos juntos em sala de aula. Por isso, posso dizer que conheci bem esse grande amigo.
Com 12 anos, Feutmann decidiu escrever uma peça de teatro, um monólogo na verdade, chamado Aline. Era a história de uma adolescente que decidia relatar, em uma longa conversa com seu gato, sua história de vida, suas alegrias, suas frustações e suas expectativas para a fase adulta. Como éramos muito amigos, Feutmann me convidou para ser Aline. Ele foi o escritor da peça, o diretor, o produtor. Os ensaios eram em sua casa no bairro Liberdade. No seu quarto, ele montava todo o cenário: uma poltrona para Aline, um cabide de pé para colocar o chapéu, as luvas e o cachecol que Aline usava. Acredito que pegava as roupas emprestadas da irmã ou da mãe, pois eram de tamanho bem maior que meu manequim.
Essa produção toda, que parecia brincadeira de criança, na verdade, já eram os primeiros passos de um talentoso artista, escritor e jornalista, que Feutmann veio a tornar-se no futuro. O tempo nos separou. Caminhamos por caminhos diferentes, mesmo eu me tornando jornalista. Ele foi morar fora do estado e nossas conversas se tornaram mais escassas, mas sempre acompanhei a trajetória brilhante desse grande amigo de infância.
Acredito que Feutmann tenha escrito outros textos, contos, peças, poesias, pois era muito criativo, inteligente e sensível às artes. Era um visionário, cheio de ideias, de sonhos, de vontade de viver. Viveu seus poucos anos de forma intensa e realizou muitos dos sonhos que o vi sonhar na infância.
Por tudo isso, acredito que Feutmann merece toda nossa consideração e respeito, pois foi uma pessoa justa, íntegra, solidária e amiga.
Ficam aqui minhas saudades e meu carinho ao visionário que viveu à frente do seu tempo e, desde criança, expressou seus talentos e dons para a sociedade roraimense.

*Neuraci Lima, jornalista, editora da revista SOMOS Amazônia, (da Fecomércio), que circula em todos os estados da Região Norte.

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