Todo o conhecimento do mundo.

Todo o conhecimento do mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 

São vários os registros do seu legado cultural, político, jornalístico e estratégico

 

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Almecir Câmara*

 

Falar de Feutmann Gondim, para mim, significa reconhecer a pessoa extremamente inteligente, companheiro, leal, carinhoso, responsável, comprometido, e com muito bom gosto, que ele foi!
Apesar de já conhecê-lo profissionalmente há muito mais tempo, nossa amizade nasceu em 2003, por conta da aproximação de minha família com a família da amiga Waldeth Gondim, sua irmã.
Feutmann havia se mudado para Brasília, mas nos falávamos com frequência por telefone ou pessoalmente quando eu viajava a serviço para a Capital Federal. Nestas ocasiões, ele fazia questão de ir me buscar no aeroporto e levar para jantar, sempre em um lugar diferente, onde pudéssemos desfrutar de boa comida, boa música e principalmente de uma boa conversa.
Por ser uma pessoa bastante hospitaleira, fazia questão de hospedar em seu apartamento todos os amigos roraimenses que passavam por Brasília.
Sonhador e apaixonado pela sua terra natal, passava horas e horas descrevendo suas ideias para o desenvolvimento turístico e cultural do Estado e, principalmente, da vila do Tepequém, onde nasceu.
Em meados de 2012, a Confederação Nacional da Indústria - CNI, solicitou que as Federações de Indústrias estaduais indicassem um escritor ou jornalista local que pudesse escrever um texto sobre o Estado, destacando ou sua geografia, etnia, cultura, arquitetura ou economia. Esta matéria iria fazer parte do livro intitulado "BRASIL GENTES e LUGARES, PALAVRAS e IMAGENS". Na mesma hora, o nome do Feutmann veio à tona e ao ligarmos para consultá-lo, ele aceitou de imediato e assim, Roraima foi representado pelo jornalista Feutmann Gondim, com a matéria intitulada – Roraima – Cenário de Lendas.
O livro foi lançado no dia 16 de dezembro de 2012 e a CNI, durante toda a semana tentou muito falar com Feutmann, mas infelizmente, o mesmo já estava internado, vindo a falecer em seguida, não tendo a oportunidade de conhecer a sua obra, que se faz presente nas bibliotecas de todo o país, nos veículos de comunicação e nas casas de muitos brasileiros. Vale a pena conhecer esta publicação, onde o nosso roraimense ocupa lugar de destaque entre autores como Lya Luft, Maitê Proença, Heloísa Schürmann, Bruna Lombardi e tantos outros.
Temos vários registros do seu legado cultural, político, jornalístico e estratégico.
A sua contribuição para Roraima vem sendo relatada por amigos e profissionais de notório saber que reconhecem tudo o que já foi feito por Feutmann e o que poderá vir a se realizar, in memoriam.
Fazer parte deste grupo seleto, me enche de orgulho. Ser integrante do grupo de amigos da família GONDIM me honra ainda mais.
Hoje eu quero lembrá-lo como bom anfitrião que foi, que adorava pequenas festas, que reunia os amigos para saborearem uma macarronada feita por ele ou um peixe e frutos do mar, acompanhado de um bom vinho e música de qualidade.
Conheço inúmeros projetos que foram idealizados por Feutmann e quiçá um dia, sejam executados por algum roraimense visionário, que ocupe cargos estratégicos que possam vir a contribuir para o desenvolvimento do nosso Estado.
Parabéns aos amigos e profissionais que deram vida a um dos projetos de Feutmann Gondim - um site que possa conectar você ao mundo da informação.

 

*Almecir Câmara, Superintendente do Sesi e Fier.

 

 


 

 Detinha um conhecimento formidável sobre o estado de Roraima,
suas belezas naturais e, principalmente, sua geografia.

 

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Epitácio César*

 

Um dos últimos textos do Feutmann foi a encomenda para um livro da Confederação Nacional da Indústria: Brasil, Gente e Lugares, Palavras e Imagens. Ali, todos os estados brasileiros estão ordenados. Pra nossa Roraima, coube-se incumbir o jovem jornalista, poeta e articulista, com experiência de invejar veteranos.
Deu título ao capítulo 'Cenário de Lendas', que falou de sua terra, Roraima, com o saber do homem culto pelas curiosidades e histórias de sua terra e do mundo.
Conheci Feutmann em meio aos livros, os quais amávamos. Nossas conversas, frequentes, estavam de vez em sempre ligadas às citações. Eram tão profundas no seu conhecimento, que não me parecia verdadeira a aparência de ser seu pai. Sentia-me seu irmão.
A facilidade com que Feutmann voltava-se da prosa à poesia diversificava seu discurso. A mesma facilidade com que apaixonava-se por seus ídolos, compulsivamente, acabava achando duas respostas para a mesma questão. Ambíguo? Não! Era como ele via o mundo. Um mundo como quimera, é! Um mundo que não se atualiza ao conceito único. Um mundo onde a esfinge, que aparece em alguns dos seus textos, aceita respostas diferentes ao mesmo questionamento. Um mundo onde a resposta do líder é válida e o questionamento do cidadão é discutível. Um mundo onde se briga por besteiras, pouco se fala sobre amor. Um mundo que o cansou cedo e levou-o.
Nos últimos tempos, os de Brasília, víamo-nos pouco. Não tinha vez que chegava, de visita, na sua terra que não viesse me ver. Exceto da última viagem. Ligou-me, se desculpando pela falta de tempo e quedou para não mais voltar.
Saudades do Feutmann, garoto prodígio. 

 

*Epitácio César, publicitário, artista plástico e produtor cultural.

 


 

 

Cenário de lendas

Feutmann Gondim*

 

No princípio, Wasaká, a Árvore da Vida, lançava seus galhos por uma vasta região; suas raízes buscavam as profundezas da terra e todos os frutos conhecidos brotavam para saciar a fome e a sede dos parentes Pemon, Macuxi, Taurepang e Ingarikó.
Makunaima era o guardião de Wasaká. Dotada de grandes poderes, só ele conhecia o caminho para a Árvore da Vida. Uma forte estiagem atingiu a região, espalhando fome. Irmãos de Makunaima, Insikiran e Anikê seguiram o herói até Wasaká e, escondidos, retiraram os frutos sagrados. Furioso, Makunaima colocou a árvore abaixo, causando tremor no céu e na terra.
Do tronco de Wasaká jorrou a seiva que criou os grandes rios do Brasil, da Guiana e da Venezuela. Árvore da Vida virou Roraima, Mãe de Todas as Águas, fonte que alimentava os rios Essequibo, Caroni, Oneroco, Cotingo, Tacutu, Branco e Amazonas.
A Árvore da Vida já não existe, mas sua lenda sobrevive e, através dos tempos, inspira aventureiros, cientistas e poetas. O fascínio pelo cenário das grandes aventuras de Makunaima aparece em "O Mundo Perdido", de Arthur Conan Doyle, de 1912, e chega aos nossos dias como o Paraíso das Cachoeiras de "Up", comovente animação da Disney-Pixar.
Reveladas ao mundo por Theodor Koch-Grunberg – que viveu com os índios de Roraima e da Venezuela entre 1911 e 1913 – e inspirou Mário de Andrade a escrever seu Macunaíma. A magia e a tradição oral dos povos que vivem à sombra do Monte Roraima se tornaram universais e chegaram a Alfa Centauro, com a luta dos Na´vi para proteger a Árvore da Vida em "Avatar", a superprodução de James Cameron.
Do alto de seus 2,7 mil metros e dois bilhões de anos, mais do que um lugar no espaço, o Monte Roraima é um lugar no tempo, guardião da tríplice fronteira Brasil/Guiana/Venezuela e memória viva da Terra e dos filhos de Makunaima.

 

* Feutmann Gondim, o homenageado.

 

Os outros autores, cada um por seu estado foram: Acre – Sílvia Nobre Waiãpi; Alagoas – Thereza Collor; Amapá – Zé Miguel; Amazonas – Itelvina Garcia; Bahia – Jorge Amado; Ceará – Mino; Distrito Federal – Juscelino Kubitschek; Espírito Santo – Danuza Leão; Goiás – Hélio Rocha; Maranhão – Ferreira Gullar; Mato Grosso – João Nicolau Petroni; Mato Grosso do Sul – Walfrido Tomás; Minas Gerais – Carlos Bracher; Pará – Alex Fiúza de Mello; Paraíba – José Nêumanne; Paraná – Miguel Sanches Neto; Pernambuco – José Cláudio; Piauí – Bruna Lombardi; Rio de Janeiro – Maitê Proença; Rio Grande do Norte – Nélson Patriota; Rio Grande do Sul – Lya Luft; Rondônia – Márcio Souza; Santa Catarina – Heloísa Schurmann; São Paulo - Ignácio Loyola Brandão; Sergipe – Luiz Antonio Barreto e Tocantins – Lúcio Flavo.

 

 

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