Vice & Versa

Janaína Souza

Janaína Souza acabou de chegar a Boa Vista feliz da vida. O motivo? Conquistou o primeiro lugar regional e nacional do Prêmio MPT de Jornalismo 2016 – categoria radiojornalismo, com a reportagem “Desempregadas domésticas: Indígenas de Roraima não têm os direitos trabalhistas respeitados”. E esse é somente um dos vários prêmios que essa jornalista roraimense tem na carreira. Com a mesma matéria vencedora do MPT de Jornalismo, ela já aguarda com ansiedade o resultado do Prêmio Vladimir Herzog, do qual participa.

 

Você nasceu onde?

Em Boa Vista – Roraima

Estudou os ensinos fundamental e médio em que escolas?

O ensino fundamental na Escola Estadual 31 de Março e o médio no Colégio Gonçalves Dias

Você é formada em que, por qual instituição de ensino?

Sou Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo, pela Universidade Federal de Roraima.

Por que o jornalismo?

Eu sempre fui muito inquieta com tudo ao meu redor, principalmente com o que via de errado, mas não podia fazer nada. Quando terminei o ensino médio, eu tentei o vestibular para agronomia porque eu também gosto muito de mexer com a terra (risos), e naquele ano não tinha aberto turma para jornalismo. Não passei, mas no ano de 2003 abriu uma turma, comecei a estudar sozinha em casa e para minha surpresa fui bem classificada. No primeiro semestre já ganhei a oportunidade de estagiar em uma TV local, e depois disso não parei mais. Foi aí que percebi o papel social do jornalista de auxiliar na difusão do conhecimento que dê ao receptor a possibilidade de refletir e, também, de interpretar e tirar suas conclusões – Pronto, me achei (risos).

Você já trabalhou em quais veículos de comunicação?

Na TV Manchete; Assessoria de Comunicação do Governo de Roraima; TV Ativa; Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Boa Vista, onde fazia rádio release; Rádio FM Monte Roraima; Assessoria de Comunicação do Ministério Público de Roraima.

Por que o rádio?

Meu trabalho de conclusão do curso (monografia) já foi sobre rádio, com o tema Rádio Roraima e o Movimento Roraimeira – Reflexos na Sociedade. Já trabalhei em vários veículos, mas o rádio me encanta e desde criança tinha essa paixão. Lembro quando eu ficava imitando os radialistas e gravava minha voz em fitas cassetes e depois colocava para eu ficar ouvindo (risos). O rádio é uma ferramenta de comunicação e de prestação de serviços à comunidade, exercendo a função de comunicar com ética, isenção responsabilidade e democracia, pois entendo que até mesmo por ser o meio de comunicação mais acessível às massas, o rádio mais do que qualquer outro veículo de comunicação deve atentar para esses preceitos. Não desmerecendo os outros veículos de comunicação, mas a informação chega muito mais além e de forma rápida, além de atender a vários públicos. Um senhor lá na roça, por exemplo, pode não ter uma TV, mas um radinho de pilha eu duvido que não tenha.

Qual a maior satisfação em atuar no rádio?

Como já disse anteriormente, é uma realização trabalhar em rádio. Foi no rádio que me achei como profissional e tracei caminhos. A maior satisfação é poder levar informação a todos, sem distinção, de forma clara, objetiva e porque não dizer intimista. Tenho o ouvinte como um amigo para quem conto histórias.

Qual o nome do programa que você atua, horário, dias que vai ar e qual a linha editorial dele?

Tenho um programa ambiental e social que se chama Puraké – Um choque de informação. Vai ao ar todas as quartas-feiras a partir das 13h20min na Rádio FM Monte Roraima, 107,9 FM. O programa é parte do Movimento Puraké, o qual sou uma das fundadoras e coordenadoras e visa favorecer e incentivar a participação e atuação da sociedade no debate sobre o futuro ambiental, social e econômico de Roraima. O Puraké considera que o crescimento econômico não pode ser alcançado a qualquer preço, que os recursos naturais são finitos e também pertencem aqueles que ainda estão por nascer, e que a geração de riqueza só faz sentido se for acompanhada de sua melhor distribuição.

Quando surgiu seu interesse em participar de concursos na área de jornalismo?

No ano que comecei a trabalhar na TV Ativa, um dos meus primeiros empregos, no programa Bom Dia Cidade, abriu um prêmio do governo do Estado, “Jornalista amigo do peito”, sobre aleitamento materno. Conversei com a Marleide Cavalcante (minha chefe na época) e ela disse “participa Janaína”. Então corri atrás e fiquei em primeiro lugar. Depois daí comecei a acreditar que tinha chance de competir de igual para igual com os colegas que estavam atuando. Mas em prêmios nacionais, só muito depois. Em 2012 quando voltei a trabalhar na Rádio FM Monte Roraima teve um seminário sobre jornalismo investigativo, com duas jornalistas que atuam na Deutsch Welle (DW)- Agência de jornalismo alemã, Helena Ferro Gouveia e Ivana Ebell. Quando as duas ouviram minhas reportagens questionaram o porquê eu não participava de premiações fora do Estado. Então comecei a me inscrever nos prêmios nacionais e internacionais.

Quais prêmios você já venceu?

Jornalista amigo do peito - categoria TV – 1º lugar; I prêmio de Jornalismo do SINDIJOPER – Laucides de Oliveira - Radiojornalismo 1º lugar; Prêmio de Jornalismo Laucides de Oliveira, promovido pela Câmara Municipal de Boa Vista, categoria Radiojornalismo -1º lugar; Prêmio Estácio de Jornalismo, categoria Radiojornalismo – finalista; Milton Cordeiro – Fundação Rede Amazônica – categoria Radiojornalismo 1º lugar; Prêmio Alemão de Jornalismo – 3ª melhor reportagem da América Latina, categoria Radiojornalismo; Prêmio MPT de Jornalismo 2016 – categoria Radiojornalismo 1º lugar regional e nacional.

Entre esses prêmios, em qual reportagem você mais se envolveu e se emocionou?

Olha, é difícil dizer, pois os temas são tão marcantes para mim. Mas a reportagem “O garimpo em terras indígenas yanomami e suas consequências”, escolhida como a terceira melhor reportagem da América Latina, pelo prêmio Alemão de Jornalismo, me comoveu muito, pois foi uma série de reportagens, com muitos dias de apuração e de envolvimento. Mesmo não chegando ao primeiro lugar, foi uma vitória incrível para mim. Mas a vitória maior foi o resultado disso tudo - poder levar para o mundo o que aconteceu e acontece nas terras indígenas yanomami: a degradação ambiental, o desrespeito e a violação dos direitos humanos com os povos da floresta.

Já tem algum concurso de jornalismo em vista?

Inscrevi a reportagem vencedora nacional do prêmio MPT de Jornalismo “Desempregadas domésticas: Indígenas de Roraima não têm os direitos trabalhistas respeitados” no prêmio Vladimir Herzog e recebi o email confirmando que a reportagem está apta a participar.  Vamos torcer! (risos).

ViceVersa - Foto Edilson